O Novo Luxo é a Intenção
Por Redação LADIES
Como vestir-se com propósito se tornou o maior gesto de estilo, liberdade e consciência feminina
Em um mundo saturado pelo excesso, vestir-se com consciência ultrapassa a dimensão estética e se torna um ato radical de liberdade. Em diálogo com Tatiani Herrmann, mentora de imagem e idealizadora do programa Selfy, exploramos os caminhos do estilo alinhado ao propósito, o consumo responsável, a força da autoestima e o poder da reconexão com a própria essência feminina.
A seguir, uma entrevista que revela como estilo, essência e propósito caminham juntos para transformar a relação da mulher com a moda e com ela mesma.
Você se tornou uma referência em estilo com propósito. Quando a moda deixou de ser apenas estética para você e passou a ser ferramenta de transformação?
“Foi em 2014, durante uma viagem a Nova York, onde participei da Convenção Mundial do Varejo e visitei feiras de inovação, que tudo mudou. Conheci o conceito de consumo consciente na moda e me deparei com dados alarmantes: mais de 70% das roupas femininas ficam esquecidas nos guarda-roupas, muitas usadas apenas uma vez ou jamais. Além disso, descobri que a indústria têxtil é a segunda maior poluidora do planeta.
Naquele instante, entendi que o fast fashion não era só um modelo de negócio, mas o reflexo de um comportamento acelerado e desconectado que impacta, sobretudo, as mulheres. Nasceu em mim uma inquietação e um chamado para agir.”
Como essa percepção se refletiu no seu trabalho com imagem e estilo?
“Compreendi que era tempo de ressignificar a moda. Assim, pioneiramente no Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul, criei o conceito de Guarda-Roupa Inteligente — um acervo construído com qualidade, durabilidade e, acima de tudo, significado. Um guarda-roupa que respeita o estilo de vida, os objetivos e os valores de cada mulher.
Menos quantidade, mais intenção. Vestir-se com propósito é um ato de amor próprio, mas também um compromisso coletivo.”
Você costuma dizer que o estilo nasce da essência. O que significa essa afirmação?
“Estilo não é apenas montar um look bonito, é comunicar com autenticidade quem a mulher é e quem ela está se tornando.
A roupa é uma linguagem silenciosa, mas de imenso poder. Quando nasce da essência, ela alinha autoestima, expressão e escolhas.
Foi a partir dessa visão que criei o Selfy, um programa que integra autoconhecimento, identidade, autoestima e imagem pessoal. Já são mais de 4 mil mulheres que passaram por essa jornada, cada uma redescobrindo seu brilho único.”
Você acredita que existe um novo conceito de luxo surgindo no mundo?
“Sim, e ele se afasta completamente da ostentação.
Em uma recente viagem à Europa, percebi com ainda mais nitidez que o novo luxo está na personalização, na peça feita à mão, no toque artesanal e atemporal. Está no cuidado com os detalhes, naquilo que é produzido com alma.
Enquanto o fast fashion exige velocidade, o slow fashion sussurra valor — o valor da peça, do processo, de quem a fez.
Mulheres conscientes ao redor do mundo têm escolhido esse caminho.”
Esse movimento também tem ligação com o second hand?
“Completamente. O crescimento do mercado de segunda mão reflete o despertar do desejo de dar novo significado às peças.
Hoje, mais do que consumir roupas, as mulheres buscam experiências com propósito. Querem vestir histórias, fazer escolhas conscientes e transformar o ato de se vestir num reflexo verdadeiro da sua natureza interior.”
Como nossas escolhas de consumo podem impactar gerações futuras?
“As roupas não são neutras: carregam energia, contam nossa história e ensinam — às nossas filhas, sobrinhas, amigas — como se amar e se cuidar.
O mundo que desejamos legar às próximas gerações começa com as decisões que tomamos todos os dias, inclusive diante do espelho.”