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Encontro da Mulher S.A. debate comportamento, decisões e relações no trabalho

Por Flavia Kappell

Autossabotagem, inteligência emocional, tecnologia e relações profissionais estiveram entre os temas da edição, que também trouxe um depoimento sobre gerações e cultura no ambiente de trabalho.

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Nem sempre aquilo que interfere em uma decisão está do lado de fora. Às vezes, começa em pensamentos aparentemente simples: “isso não é para mim”, “melhor esperar”, “não sei se estou pronta”. Foi a partir desses movimentos cotidianos que Gabriela conduziu mais uma edição do Encontro da Mulher S.A., colocando em pauta comportamento, inteligência emocional, trabalho e a forma como decisões são construídas.

A autossabotagem esteve entre os primeiros assuntos da noite. Gabriela apresentou o conceito como um ruído interno que pode aparecer por meio de crenças limitantes, inseguranças ou pensamentos automáticos que interferem na percepção de uma situação antes mesmo que algo aconteça.

O exemplo estava no próprio ambiente de um encontro profissional. Uma mulher pode chegar pela primeira vez, olhar ao redor e imaginar que as demais são mais importantes, mais preparadas ou mais bem relacionadas. Pode se perguntar se está vestida adequadamente, se alguém irá conversar com ela ou até se aquele espaço é para ela.

Nenhuma pessoa precisa ter feito qualquer julgamento. Muitas vezes, a própria mulher já entrou naquele ambiente se colocando em uma posição menor.

A partir desse ponto, Gabriela falou sobre a diferença entre autossabotagem e intuição. Segundo ela, o pensamento sabotador tende a vir acompanhado de sensação de insuficiência, insegurança e retração. A reflexão levou a conversa para a inteligência emocional e para a importância de perceber não apenas o que se pensa, mas também como determinadas situações repercutem no corpo.

Essa leitura foi relacionada também ao ambiente profissional. Clientes, profissionais e lideranças não tomam decisões apenas com base em fatores objetivos. Inseguranças, experiências anteriores e pensamentos automáticos também interferem em escolhas, negociações e comportamentos.

Outro tema colocado em discussão foi a pressão por resultados. Em muitas empresas, especialmente nas áreas comerciais, ainda é comum associar desempenho à cobrança constante. Gabriela questionou até que ponto esse modelo produz mudanças consistentes. A pressão pode gerar uma resposta imediata, mas isso não significa necessariamente aprendizado ou transformação de comportamento.

A conversa passou ainda por metas, planejamento e direção. Sentir que alguma coisa faz sentido é importante, mas não organiza sozinho o caminho até um resultado. Nesse ponto, Gabriela chamou atenção para uma pergunta que vai além da meta final: quem a pessoa se torna durante esse percurso?

Em outro momento, as participantes responderam a um questionário acessado por QR Code. A proposta era identificar diferentes estágios relacionados à organização profissional, à autonomia das equipes e ao funcionamento dos próprios negócios.

Os relatos mostraram situações distintas. Uma empresária contou que já viveu uma fase em que praticamente todas as decisões dependiam dela e que hoje sua equipe possui mais autonomia. Outra relatou ainda ser procurada constantemente pelos colaboradores. Uma terceira reconheceu que sua equipe funciona bem, mas que ela própria permanece muito envolvida no operacional e precisa ampliar sua atuação estratégica.

Os exemplos ajudaram a sustentar uma comparação feita por Gabriela: antes de definir para onde se quer ir, é necessário saber de onde se está saindo. Assim como em uma corrida por aplicativo, o destino não é suficiente sem um ponto de partida.

A inteligência artificial também entrou na conversa. Gabriela abordou o uso da tecnologia para agilizar relatórios, organizar informações e automatizar tarefas, mas chamou atenção para outro movimento: o risco de transferir para as máquinas funções que continuam essencialmente humanas.

Conversar, negociar, escutar, explicar, dar feedback e construir relações ainda dependem de interação. Dentro das empresas, muitos ruídos surgem justamente quando algo é considerado “óbvio” por uma pessoa, mas nunca foi comunicado com clareza para a outra.

Durante o encontro, Gabriela também convidou Adriana Borgel, sócia-proprietária e gestora administrativa da 3F1B, para compartilhar sua experiência à frente da empresa.

Em formato de depoimento e conversa, Adriana falou sobre a convivência entre diferentes gerações no ambiente profissional. A 3F1B tem 33 anos de trajetória, 33 colaboradores e reúne baby boomers, geração X, millennials e geração Z na mesma operação.

Uma das provocações trazidas por Adriana foi a conhecida frase de que “a geração de hoje não quer trabalhar”. Para ela, a questão merece outra leitura: os profissionais mais jovens talvez não rejeitem o trabalho, mas tenham construído uma relação diferente com ele.

Enquanto profissionais mais experientes acumulam repertório e conhecimento, as gerações mais jovens chegam com velocidade, familiaridade com tecnologia e novas formas de realizar tarefas. O desafio, segundo Adriana, está em aproximar essas competências.

Ela também contou que seis famílias possuem pais e filhos trabalhando dentro da 3F1B e relatou que a empresa mantém ações de aproximação com as famílias dos colaboradores. Pertencimento, reconhecimento e relações próximas fazem parte da cultura da organização e, segundo ela, contribuem para a baixa rotatividade da equipe.

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Além da atuação empresarial, Adriana integra o conselho de administração da Sicredi Ouro Branco. No relato, falou também sobre sua experiência como mulher em ambientes historicamente mais masculinos, como a indústria e as finanças, e sobre a necessidade de mulheres reconhecerem a própria capacidade profissional e ocuparem espaços de decisão.

Na parte final da noite, Gabriela retomou a relação das mulheres com trabalho, reconhecimento e culpa. Questionou por que ainda existe estranhamento quando uma mulher afirma que gosta do que faz, deseja crescer profissionalmente ou quer ser reconhecida pela qualidade do próprio trabalho.

A discussão não colocou carreira e família em lados opostos. Trouxe para o centro a realidade de mulheres que ocupam diferentes papéis e constroem suas escolhas dentro dessa multiplicidade.

O encontro terminou com a frase “Seja o vento que espalha a mudança”. Na saída, as participantes receberam uma sacola preparada especialmente para a edição, encerrando uma noite dedicada a comportamento, decisões, relações profissionais e aos desafios que atravessam o trabalho contemporâneo.

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